FICHA TÉCNICA

Mr. Mercedes – Trilogia Bill Hodges #1
Autor: Stephen King
Ano de Lançamento: 2016
Nº de páginas: 576
Editora: Suma de Letras
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SINOPSE

Ainda é madrugada e, em uma falida cidade do Meio-Oeste, centenas de pessoas fazem fila em uma feira de empregos, desesperadas para conseguir trabalho. De repente, um único carro surge, avançando para a multidão. O Mercedes atropela vários inocentes, antes de recuar e fazer outra investida. Oito pessoas são mortas e várias ficam feridas. O assassino escapa. Meses depois, o detetive Bill Hodges ainda é atormentado pelo fracasso na resolução do caso, e passa os dias em frente à TV, contemplando a ideia de se matar. Ao receber uma carta de alguém que se autodenomina o Assassino do Mercedes, Hodges desperta da aposentadoria deprimida, decidido a encontrar o culpado. Mr. Mercedes narra uma guerra entre o bem e o mal, e o mergulho de Stephen King na mente obsessiva e psicótica desse assassino é tão arrepiante quanto inesquecível.


RESENHA – MR. MERCEDES

Caos, insanidade, vazio, desprezo e inconsequências são os atributos que definem Brady Hartsfield. Perseverança, objetividade, empatia, coragem e orgulho fazem de Bill Hodges um adversário à altura de seu antagonista. E é em Mr Mercedes, o primeiro livro de uma trilogia escrita pelo Mestre Stephen King, é que o embate entre os dois ganha forma, destroça inocentes, fomenta a perversidade e distribui esperança e inocência sobre figuras que sofrem e/ou sofreram os efeitos colaterais deste confronto.

“Hodges consome a merda televisiva durante todas as tardes da semana, sentado na poltrona com o revólver do pai (o que o pai usava quando era policial) na mesinha ao lado. Ele sempre o paga algumas vezes e olha dentro do cano. Inspeciona a escuridão redonda. Em duas ocasiões, o colocou entre os lábios só para ver qual era a sensação de ter um revólver carregado encostado na língua, apontado para o palato. Acostumando-se a ela, Hodges achava.”

O gênero policial nunca esteve tão intricado nas páginas escritas por Stephen King, pelo menos, não até este momento. Com a trilogia de Bill Hodges, King vem mais uma vez para provar o porquê de ser considerado um dos maiores escritores de todos os tempos. Com uma trama policial envolvente e recheada de tensão psicológica, King polariza dois personagens formidáveis e como de praxe, acrescenta um peso de protagonismo a seus personagens secundários. Um detetive recém aposentado busca se adaptar a nova rotina de sua vida, tentando além de tudo se desvencilhar de casos ainda não resolvidos, e que permeiam sua tranquilidade, um maníaco, que há algum tempo atrás provocou um verdadeiro massacre, matando oito pessoas e ferindo outra dezena ao jogar um portentoso Mercedes sobre uma fila de pessoas que aguardavam pela oportunidade de um emprego, deseja expor toda sua insanidade em um grand finale brutal e aterrorizante. Um jovem rapaz, que trabalhará em conjunto com Bill na solução dos enigmas propostos pelo Mr Mercedes, e uma mulher já ao longo de seus quase cinquenta anos, que irá vislumbrar o mundo de uma maneira até então desconhecida, e que através disso, poderá enfrentar os temores que tanto a privaram ao longo da vida. Estes são os personagens que farão você esquecer o mundo, e mergulhar nesta trama inquietante e apaixonante.

“Às vezes, o diabo que você conhece é melhor do que o que você não conhece!” 

Mr Mercedes tem um ritmo que nos deixa à espreita em cada nova página virada. A escrita de King é padrão, inigualável, e seus personagens constroem a todo o momento, um castelo de sentimentos conflitantes e ações inebriantes. Uma das principais características de King, e uma das que mais gosto, é a importância que ele dá a todos os pontos da história, tudo e todos são relevantes, cada detalhe formam um mosaico único de terror e superação. E até mesmo figuras secundárias, por vezes, fazem ações de protagonismo de maneira natural e clara. O final é emocionante, em cada página ficamos fissurados no que está por vir.

“Toda religião mente. Todo preceito moral é uma ilusão. Até as estrelas são miragens. A verdade é a escuridão, e a única coisa que importa é fazer uma declaração antes de se entrar nela. Rasgar a pele do mundo e deixar uma cicatriz. É disto que se trata a história, afinal: cicatrizes.”


SENTENÇA

Em Mr Mercedes sabemos quem é o assassino, e quem é o caçador. Em outras histórias isto estragaria completamente a trama, tornando-a enfadonha e maçante, mas não aqui, não nas mãos e na escrita deste autor que mais uma vez nos mostra sua capacidade de se reinventar. Compre hoje mesmo este livraço, e leia amanhã, e se você já o tem em sua estante, e não leu? SHAME ON YOU!

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