FICHA TÉCNICA

O CONTO DA AIA
Autor: Margaret Atwood
Ano de Lançamento: 2006
Nº de páginas: 368
Editora: Rocco
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SINOPSE

Escrito em 1985, o romance distópico O conto da aia, da canadense Margaret Atwood, tornou-se um dos livros mais comentados em todo o mundo nos últimos meses, voltando a ocupar posição de destaque nas listas do mais vendidos em diversos países. Além de ter inspirado a série homônima (The Handmaid’s Tale, no original) produzida pelo canal de streaming Hulu, o a ficção futurista de Atwood, ambientada num Estado teocrático e totalitário em que as mulheres são vítimas preferenciais de opressão, tornando-se propriedade do governo, e o fundamentalismo se fortalece como força política, ganhou status de oráculo dos EUA da era Trump. Em meio a todo este burburinho, O conto da aia volta às prateleiras com nova capa, assinada pelo artista Laurindo Feliciano.


RESENHA – O CONTO DA AIA

A verdade. Existe uma verdade absoluta ou realmente ela é relativa. Enquanto muitos ainda debatem e pensam que chegar a um consenso sobre isso é o “cerne” da questão, poucos se preocupam com as atitudes tomadas por aqueles que afirmam detê-la. Oposição nunca é um problema em si, desde que se saiba aceita-la e debate-la. Essa obra é sobre o perigo da imposição de vontades e valores. Sobre como um pequeno grupo que afirma ter o credo correto, os costumes certos e “surfando” em um frenesi coletivo prefere a erradicação de tudo que é diferente. Mas sempre que “verdades” são impostas o que se obtém são lágrimas dos que as contrariam e alegria daqueles que possuem sorte o bastante de estarem do lado correto no momento.

O conto da aia

 “Foi depois da catástrofe, quando mataram a tiros o presidente e metralharam o Congresso, e o exército declarou estado de emergência(…) Fiquei atordoada. Todo mundo ficou, sei disso. Foi então que suspenderam a Constituição. Disseram que seria temporário.”

A República de Gilead, um Estado Teocrático totalitário militar criado no coração da América. Se fazendo valer de uma interpretação distorcida e errada de passagens do Velho Testamento contido na Bíblia, um grande grupo de fanáticos religiosos impõe seu rígido e macabro estilo de vida sobre a população. Após uma “caça as bruxas” que dividiu a nação, a sociedade se vê dividida entre homens, em sua maioria “militares” governantes e mulheres relegadas apenas a funções serviçais. Existem as Marthas, que trabalham em funções domésticas, as Tias que treinam as mulheres para serem submissas, as Aias que servem para reprodução e as Esposas que administram o lar. Todas devidamente doutrinadas para servir. Na sociedade, todos aqueles “diferentes” demais para se enquadrarem neste novo padrão de vida são enforcado e vão para o Muro. O Muro da vergonha. Em uma sociedade que visava o “céu na terra”, as mulheres apenas encontram dor e ranger de dentes.

o conto da aia“Mas isto está errado, ninguém morre por falta de sexo. É por falta de amor que morremos.”

Offred, ou of (de) Fred seu dono, é uma Aia. Em uma época em que o nascimento de crianças saudáveis está cada vez mais escasso devido a contaminação climática e genética, seu corpo e ventre saudáveis servem apenas para procriação. Ela pertece a Fred, um alto escalão militar. Sua vida atual se resume a tentar engravidar de seu dono e pequenos afazeres como compras de mercadoria na rua. Mas ela não nasceu assim. Ela se lembra de uma época em que era uma profissional liberal com marido e filha. Lhe tiraram sua família, sua liberdade e dignidade. Mas não há força maior que a saudade e a esperança. Em meio ao caos de um mundo opressor ela encontra forças para encontrar sua família e fugir. Mas para isso ela precisa aprender a sobreviver aos constantes abusos psicológicos e físicos. Sua vida está chegando a uma encruzilhada fatal, afinal, a possibilidade de uma criança em seu ventre pode significar tanto a sobrevivência como a condenação a esse estado de vida deplorável para sempre.

o conto da aia“Como todos os historiadores sabem, o passado é uma enorme escuridão, e repleto de ecos. Vozes podem nos alcançar a partir de lá; mas o que dizem é imbuído da obscuridade da matriz da qual elas vêm; e, por mais que tentemos, nem sempre podemos decifrá-las precisamente à luz mais clara de nosso próprio tempo.”


SENTENÇA

Com base em uma visão alarmante, mas caricata, de uma possível teocracia imposta por uma vertente da fé cristã (?), Margaet Atwood nos presenteia com uma história angustiante e magistral. Há algo de especial em sua escrita quase “hipnótica” que te faz devorar suas páginas sem parar. A autora nos coloca dentro da tristeza do coração e da alma de nossa protagonista. Por mais que você deixe eventualmente o livro de lado, seus personagens não largam você. Os leitores não são poupados em momento algum do asco e das lágrimas que este reflexivo, repulsivo e pertinente livro nos proporciona. Se você está procurando uma boa “distopia” passe longe deste livro, mas se é uma obra-prima que procura, pode comprar sem medo.

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