FICHA TÉCNICA

O NAVIO ARCANO – OS MERCADORES DE NAVIOS-VIVOS #1
Autor: Robin Hobb
Ano de Lançamento: 2017
Nº de páginas: 864
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SINOPSE

O Navio Arcano: George R.R. Martin é um dos maiores fãs da literatura de Robin Hobb, que, no mundo todo, é uma das mais celebradas e cultuadas autoras contemporâneas de literatura fantástica. Em a “Saga do Assassino”, Robin Hobb retorna, numa nova trilogia, “Os Mercadores de Navios-Vivos”, ao universo ficcional conhecido como o Reino dos Antigos. Nesse primeiro volume, O navio arcano, Robb faz referências a clássicos como Moby Dick e Mestre dos mares para conduzir o leitor por uma aventura marítima repleta de magia, contando a história de um orgulhoso grupo de famílias que navega por mares bravios repletos de piratas e serpentes, a bordo do seu protagonista: os seus navios-vivos – embarcações raríssimas e mágicas feitas de madeira-arcana, capazes de adquirir vida própria. Com personagens muito bem caracterizados, tanto física quanto psicologicamente, Robin Hobb tece uma trama envolvente e complexa, que seduz o leitor a cada página.


RESENHA – O NAVIO ARCANO

Piratas, magia antiga, navios-vivos, mercadores tradicionais, novos e ambiciosos. Serpentes marinhas sanguinárias em busca de ascensão, uma família de respeito navegando pelo caos, um capitão ambicioso e um amor improvável, uma morte na família que abala o futuro, esperança, determinação, covardia, coragem, rebeldia, escravidão, mudanças… Cidades belíssimas, com suas ruas estreitas cujo esgoto é navegado por doenças e podridão. Estas são as características deste livraço de “apenas” 860 páginas. Um livro que trespassa gêneros e alcança a plenitude através de uma escrita apaixonante como um amor inocente, cruel como a dura realidade e com um desenvolvimento tão profundo que somente a maturidade e a experiência podem proporcionar. Este é o Navio Arcano, primeiro livro da nova trilogia de Robin Hobb.

“O tempo foi remodelado. Aceitamos isso para misturar as essências de nossos próprios corpos e criar novos seres, que receberam nova vitalidade e novas forças. Para realizar o ciclo ancestral de união e separação e crescer mais uma vez. Para renovar nossos corpos.”

Ao contrário da Saga do Assassino, onde a autora dedica suas energias quase que exclusivamente à figura do bastardo Fitz, Navio Arcano é muito mais abrangente em um cenário muito maior e rico. Se na primeira trilogia, pouco sabíamos sobre os inimigos, nesta saga vamos acompanhar todos os lados. Somos testemunhas de crueldades e de conquistas. O preto, branco e o cinza são as cores que pintam o cenário. O sangue é a fronteira da alma e as lágrimas a saída da dor. Robin Hobb não se prende a um único tema, ela abraça diversos com maestria. Que escrita viciante. Todas as peças são montadas e desmontadas numa cadência a seu bel prazer.

Althea Vestrit é uma mulher que passou toda sua infância em um navio que ainda espera pelo seu despertar, o navio-vivo chamado Vivácia foi comprado por sua família há duas gerações atrás, sendo sua dívida ainda pendente para os próximos anos. Althea sempre sonhou que herdaria o controle da grande embarcação, e juntos pudessem explorar as riquezas dos mares e enfrentar os temores das tempestades. Entretanto, quando seu pai e capitão Ephron Vestrit vem a falecer e deixa a herança para sua filha mais velha Keffrit, e consequentemente para seu marido Kyle Porto – um homem ambicioso que é capaz de cruzar qualquer limite para atingir seus objetivos -, Althea se vê numa encruzilhada que lhe irá entortar os rumos de sua vida. Em paralelo a isso, vemos os efeitos colaterais que afeta a família Vestrit: vamos acompanhar Ronica, a grande matrona, perdida em seus próprios planejamentos, e a rebeldia de Malta que a levará a caminhos traiçoeiros. Brashen, marinheiro de confiança da família Vestrit, torna-se persona non grata para Kyle, e precisará enfrentar seu destino da forma como ele se apresentar. Do outro lado da moeda teremos a companhia do capitão Kennit e sua busca pela afirmação e estruturamento de seus planos para se tornar um líder notável entre o povo. Vamos acompanhar Wintrow Vestrit, que herdará o lugar de Althea no Vivácia, mesmo contra sua vontade. Estalão é um navio-vivo, que vive encalhado nas praias de Vilamonte após uma série de tragédias custarem sua liberdade e sua confiança frente aos marinheiros. Há uma infinidade de personagens e situações. Todas muito bem desenvolvidas. É impressionante o quão bem a autora constrói cada um deles, sempre de maneira natural e humana.

“Olhe só para você – rosnou Kyle, e Wintrow olhou para baixo, um pouco confuso, com medo de ter sujado a roupa. O pai empurrou sem ombro. – Não estou falando do seu manto de sacerdote, estou falando de você. Olhe só para você! Tem idade de homem, mas corpo de um garoto e inteligência de marinheiro de água doce. Não consegue nem sair do próprio caminho, então não tem como sair do caminho de outro homem.”

Uma grande questão para os leitores, é a necessidade ou não de já ter lido a Saga do Assassino para se aventurar por estes mares traiçoeiros do Navio Arcano, a resposta é: não, não há – até o momento – nada de relevante trazido da trilogia anterior para esta. Obviamente existem algumas referências e citações, mas todas muito sutis e naturais. Pelo menos até este livro a história se estrutura por si mesma. Mas, que fique bem claro, a qualidade imensa da Saga do Assassino e de sua importância para o gênero em conjunto com a genialidade da autora são motivos mais do que suficientes para você se aventurar pela vida de Fitz, um dos personagens mais bem desenvolvidos da Literatura Fantástica.

“Nós dois somos atraídos um pelo outro, mas a raiva que ele sente da situação o faz resistir à conexão. E tenho vergonha de buscá-lo tantas vezes com os pensamentos.”


SENTENÇA

“O Navio Arcano” é um dos maiores lançamentos da Literatura Fantástica deste segundo semestre. Um livro que já conquistou o mundo, agora chega para conquistar o coração dos leitores brasileiros. Uma história tão rica e com uma profundidade tão grande, que poderíamos ficar falando dela por horas a fio. Navio Arcano segue a mesma fórmula da Saga do Assassino, O livro não é recheado de batalhas épicas ou reviravoltas impressionantes, tudo é desenvolvido de maneira mais natural e cadenciado. O último terço do livro reserva as maiores surpresas deste primeiro volume, e o final… o final te fará aguardar ansiosamente pela sua continuação. Há muita magia escondida sob os mastros portentosos e inigualáveis de uma embarcação construída com madeira arcana. Uma obra densa e igualmente expansiva. Simplesmente genial!

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