FACA DE ÁGUA
Autor: Paolo Bacigalupi
Ano de Lançamento (BR): 2016
Nº de Páginas: 400
Editora Intrínseca

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SINOPSE

Num futuro árido e tumultuado, em que a água ganhou o status de commodity mais valiosa, o direito de uso das fontes e dos rios é alvo de disputas ferrenhas. Uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo. Enquanto advogados e burocratas armam-se com infinitos processos judiciais, mercenários e militares subjugam proprietários de terra, implodem estações de tratamento e interrompem o abastecimento de regiões inteiras.
Nesse cenário surge Angel, um faca de água, um dos muitos mercenários com a missão de cortar e desviar o fornecimento de água a mando de quem paga mais. Lucy é uma jornalista premiada que decidiu revelar para o mundo a realidade da Grande Seca. Maria é uma jovem cuja vida foi destruída pelos efeitos das mudanças climáticas. Quando o direito de usar a água significa dinheiro para alguns e sobrevivência para outros, o que esses três personagens não sabem é que seu encontro é um marco que poderá mudar tudo. Um novo fiel da balança que sempre pendeu para o mesmo lado.
Futurista, mas nada improvável, Faca de Água é um thriller que perpassa por questões econômicas, ambientais e éticas numa narrativa que extrapola o gênero, daquelas que se lê de uma tacada só e depois leva-se um longo tempo assimilando.

 

 

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RESENHA

Você ainda não conhece o autor Paolo Bacigalupi? Ele já ganhou os prêmios Locus, Hugo, Nebula e YA Printz e o fenomenal “Faca de Água” é seu primeiro romance publicado no Brasil. O livro é sobre o “agora” e sobre o futuro. Fala de imprudência e sobrevivência. Corrupção e inocência perdida. Dor e redenção. Fala sobre uma substância sem a qual não existiríamos: H2O (água) !

“Alguém terá que sangrar para que todos possam saciar a sede”

A história se passa em um futuro próximo, uns 20 a 40 anos, no sudoeste americano, uma região assolada por calamidades climáticas e escassez de água. Os EUA se tornaram um país de “terceiro mundo”, uma nação fragmentada e em guerra. Os estados de Nevada, Arizona e Califórnia disputam ferozmente um pequeno trecho do rio Colorado, capaz de abastecer minimamente suas comunidades, evitando que sua população continue a morrer de uma forma lenta e torturante: morrendo de sede! A água ganhou o status de a “commodity” mais valiosa, o direito de uso das fontes e dos rios se tornou alvo de disputas ferrenhas. Uma guerra entre governos, órgãos públicos e empresários, na qual vale tudo. Enquanto advogados e burocratas armam-se com infinitos processos judiciais, mercenários e militares subjugam proprietários de terra, implodem estações de tratamento e interrompem o abastecimento de regiões inteiras buscando lucro e sobrevivência.

“Havia histórias no suor.
O suor de uma mulher curvada em um campo de cebola, trabalhando catorze horas sob o sol quente era diferente do suor de um homem que se aproximava de um posto de controle no México, rezando para La Santa Muerte e pedindo que os federales não estivessem na folha de pagamento dos inimigos de quem ele estava fugindo.
O suor era a história de um corpo, comprimido em joias, acumulado na testa, manchando camisas. Ele revelava tudo sobre como uma pessoa acabava no lugar certo na hora errada, e se a sobreviveria mais um dia.”

Nesse caótico cenário encontramos nossos três protagonistas. Angel Velazquez, um ex-membro de gangue que virou um “faca de água”, agente secreto não oficial do corrupto “Departamento de Água do Sul de Nevada”, que tem um grande interesse no desenvolvimento de resorts de luxo onde há em abundância daquilo que mais falta no país… água! Seu trabalho é executar missões secretas para o Departamento, que inclui até bombardear estações de tratamento de água que não negociam com seus chefes. Do outro lado da equação temos Lucy Monroe uma renomada jornalista da Costa Leste tentando investigar e noticiar a dura e corrupta realidade da região. Quando Angel é designado para ir a Phoenix como parte de uma investigação do “Departamento” sobre uma possível fonte de água nova, ele cruza o caminho de Lucy, que está investigando o misterioso assassinato de seu amigo, o idealista Jamie. No meio de tudo isso também nos é apresentado a terceira protagonista, a “curinga” da história, Maria Villarosa, uma jovem refugiada texana que se vê envolvida em uma tempestade de violência, drogas, prostituição, traição e certos sigilosos “direitos de propriedade de água” que podem mudar dramaticamente o equilíbrio de poder – bem como a qualidade de vida – em todos os lugares da região. O leitor é transportado para um caleidoscópio de ação, aventura e reviravoltas de tirar o fôlego em um assustador mundo bem construído e verossímil.

 “Então, por que correr? Se o mundo inteiro está em chamas, porque não enfrentá-lo com uma cerveja na mão, sem medo?”

O livro é cru, violento, inteligente, perturbador, reflexivo e genial! Três protagonistas retratando de forma extremamente realista a luta pela sobrevivência em meio ao caos de um mundo onde a água vale mais que ouro. Você sente a boca seca, areia nos olhos e coração apertado durante toda a história. Esse livro precisa ser lido.

“As pessoas só vivem realmente quando estão prestes a morrer” disse ele. “Antes disso, tudo é um desperdício. Você não aprecia como as coisas eram boas até que você realmente esteja na merda ”
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