A QUEDA DE SIEGHARD (Maretenebrae #01)
Autores: L. P. Faustini e R. M. Pavani
Ano de Lançamento: 2011
Nº de páginas: 350
Editora Página 42


SINOPSE

Província de Bogdana, Sieghard, ano 476 após unificação.

Uma desconhecida força invasora irrompe pelo Grande Mar e ataca a costa protegida pelos soldados da Ordem utilizando-se de navios nunca antes vistos. Imensos. Terríveis. Destruidores. Ao mesmo tempo, uma estranha peste se espalha pelas comarcas do reino, cegando e invalidando sua população. Nobres e plebeus se nivelam padecendo do mesmo e misterioso mal. Em uma iniciativa desesperada, Sir Nikoláos de Askalor, o oficial responsável por defender a Ordem, abdica de todos os planos e estratagemas para investir de uma só vez contra os inimigos, sem saber que assim cairia na armadilha preparada por eles. Com suas fileiras dizimadas, o exército da Ordem recua e toma a direção do Domo do Rei para defender seu soberano, Marcus II, O Ousado, cuja vida representa a perpetuação dos valores ordeiros. Para um pequeno grupo, porém, composto por Roderick, Petrus, Chikara, Heimerich, Braun, Formiga e Victor Didacus – cada qual personificando um dos sete pecados capitais -, as sucessivas derrotas do reino são apenas o início da maior de todas as suas aventuras e desventuras. Diante deles, e de suas incontáveis diferenças, assombra-se um grande plano arquitetado por Destino. Serão eles capazes de enfrentá-lo?


RESENHA

“Quereis viver para sempre? Então cumpri uma última ordem: Se eu avançar, segui-me” Se e cair, vingai-me” Se eu recuar, matai-me! Pela Ordem e pela glória de Sieghard!”

A Queda de Sieghard é o primeiro romance da série Maretenebrae escrito por L. P. Faustini e R. M. Pavani e lançado em 2011 pela editora Estronho, a saga será composta por 4 livros e os últimos 3 volumes serão escritos a princípio somente pelo Luis Faustini.

Antes de iniciar a RESENHA propriamente dita, tenho novamente que fazer um apelo aos nossos leitores, apoiem a Fantasia Nacional, temos autores extraordinários por aqui, com criatividade abastada e com muita vontade de fazer as coisas darem certo. É natural para nós (infelizmente), valorizarmos muito mais o produto estrangeiro do que o nosso, mas isso não deve impedi-lo de ao menos conhecer as pérolas presentes em nosso País. Deem uma chance e posso garantir que não haverá arrependimento.

“Quantos verões você precisa viver para aprender que sem a escuridão a luz não tem significado, e por mais longa que tenha sido a noite ela não dura para sempre? ”

A Queda da Sieghard trata-se de uma Fantasia medieval, com grande parte dos melhores elementos do gênero, um mundo vastoe com boa diversidade, conflitos à espreita em cada canto, personagens bem construídos, criaturas fantásticas, ambientação cultural crível e bem elaborada e uma exploração abrangente na mitologia da série. Tudo isso faz com que o livro “encorpe” e dê uma outra visão sobre a construção do enredo. Os autores souberam muito bem moldar cada uma destas características a seu bel-prazer.

Iniciamos na história sendo apresentados a dois distintos personagens, um velho homem que está preso já há algum tempo acusado de assassinato, sobre quem? Ainda não sabemos, mas terá total relevância para a saga, e um jovemaparentemente portador de alguma realeza que vai até a cela a pedido do assassino. Nisto o velho vai contando a história da Queda de Sieghard, a partir deste momento damos um salto temporal para o passado, para acompanharmos toda a trajetória, desde seu início.

“Quando o lendário cavaleiro da fome se aproxima, o medo para enfrenta-lo e permanecer vivo diminui na mesma proporção. ”

Invasores do Grande Mar acometem a região litorânea de Sieghard, ceifando vidas, provocando caos e desordem, ao mesmo tempo uma grave doença misteriosa que pode ou não ter relação com os estrangeiros destila seu veneno por todo o continente. Tropas de todo o reino são chamados afim de combater seus invasores, dá-se a partir daí uma derrota estrondosa, que por consequência, põe Sieghard à beira da destruição. Neste cenário, 7 personagens completamente distintos um do outro, vítimas do infortúnio da Guerra, terão de se unir, superando suas divergências para sobreviverem.

“… Um é nobre, o outro um guerreiro voraz, outro costumava ser pastor de ovelhas no Velho Condado. Conheci até mesmo um sujeito que vive sem comer e sem dormir. Veja só! A vida sempre nos ensina algo, pai. Aprendi a valorizar a amizade, o respeito e a conviver com a diferença nessas poucas auroras, desde que sai da batalha. O que será de nós? Vamos viver. Eu tenho grandes amigos, assim como o senhor. Temos de nos apegar a essas pessoas. “

Braun, um guerreiro ao melhor estilo “viking” que com toda sua “brutalidade” rende momentos hilários, Sir Heimerich, um cavaleiro da nobreza que transborda orgulho e honradez, Victor Didacus, um misterioso homem com costumes “diferentes” e envolto em sua filosofia, Petrus, um simples camponês e sem nenhuma habilidade aparente, Roderick, um hábil e simpático arqueiro, sempre de prontidão para auxiliar os companheiros, Formiga um carismático ferreiro, com um humor latente e uma fome voraz e Chikara, uma sábia maga de terras longínquas formam a trupe de aventureiros incomuns. Durante todo o livro, não é rara as vezes em que nossos heróis se digladiam por suas diferenças. E aqui reside o grande trunfo desta primeira obra, os conflitos entre os personagens e suas consequências. Todos os personagens foram muito bem destacados, e todos terão seu momento durante o livro, cada qual com sua peculiaridade. Gostei de todos os eles, exceto Chikara, a maga de Keishu me pareceu uma figura traiçoeira e egoísta.

“Para além de todas as coisas, são homens sem inteligência. O que será de seu poder, curador, se não tiver em quem mandar? O que será de seu dinheiro, mercador, se não tiver com o que gastar? “

O Worldbuilding é notável, o mapa, arquitetado com bastante relevância, é muito bem utilizado durante o enredo, passamos por planícies, colinas, cavernas, passagens subterrâneas e cidades. Nossos aventureiros passarão por diversas turbulências, desde o enfrentamento com lobos selvagens, embates com os ferozes lagartos alados, fome e a insegurança de um futuro nebuloso. A religião também figura presente em Maretenebrae, proporciona algumas incisivas indiretas voltadas ao nosso mundo, além de atribuir aos nossos protagonistas cada um dos conhecidos sete pecados capitais.


SENTENÇA

Afirmo categoricamente que estamos diante de uma ótima obra de Fantasia, fãs do gênero irão se deliciar com uma aventura envolvente, bem-humorada em algumas passagens e com bastante conteúdo. Além do fato que o segundo livro “O Flagelo de Dernessus” já está no forno e deve ser lançado nas próximas semanas.

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