AS CRÔNICAS DE MEDUSA
Autores: Stephen Baxter e Alastair Reynolds
Ano de Lançamento: 2016
Nº de páginas: 434
Editora Record

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SINOPSE

Quando um ataque terrorista ameaça o cruzeiro Sam Shore na virada do século XXI para o XXII, não há ninguém que possa fazer nada. Nem mesmo o capitão da Marinha Mundial Howard Falcon, um ser humano aprimorado, parte homem, parte máquina. Então um pequeno robô que servia bebidas, com suas falas limitadas e sua autonomia reduzida, se prontifica a resolver a situação. Com isso, iniciam-se discussões sobre o grau de independência das máquinas, que podem se tornar ferramentas ainda melhores do que já são. Até que ocorre um acidente em um posto de trabalho no cinturão de Kuiper. Falcon vai até lá e encontra uma máquina chamada Adam cuja inteligência artificial parece torná-la consciente, um indivíduo. O capitão sabe que isso significa que as máquinas daquele setor serão desativadas para que o risco de completa independência seja evitado, por isso recomenda que todas fujam para que se desenvolvam longe da influência da humanidade. Comandadas por Adam, elas vão embora. Porém, muitos anos depois elas voltam, e esse é o começo de séculos atribulados na relação entre homens e máquinas.

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RESENHA

Gostaria de ressaltar alguns equívocos da editora Record na divulgação deste livro. Além da pouquíssima visibilidade e exposição desta excepcional obra em seus meios de propaganda, fizeram questão de frisar que se trata de uma sequência de um conto de Arthur C. Clarke, o que acabou afastando muitos leitores por acharem que seria um “volume 2” de uma série que não teria o primeiro volume disponível. O que NÃO é verdade. Não há necessidade alguma de ter lido o conto de Clarke para entender este livro. O que acontece no conto é explicado no livro mas farei um pequeno resumo da parte essencial por aqui: No século XXI o capitão da Marinha Howard Falcon protagonizou uma missão para explorar as nuvens superiores em Júpiter. Ele acabou encontrando um ambiente exótico com uma ecologia dominada por imensos seres “herbívoros” que ele chamou de Medusas. Nesta missão ele sofre um sério acidente ficando entre a vida e a morte, porém, tem sua vida preservada através de operações que o tornam um ciborgue: metade homem, metade máquina. Howard é o protagonista desta obra resenhada. E isto é toda a informação relevante extraída do conto que precedeu este livro.

“O Sol: estrela da humanidade e do sistema solar, agora um espólio de guerra.”

A história começa em 2100, alguns anos após o incidente citado acima, em um navio norte-americano chamado Sam Shore. Estão hospedados na embarcação o capitão Howard, a Presidente Mundial e outros figurões. Um ataque terrorista indefensável à embarcação faz a tripulação recorrer a um robô para salva-los. O sucesso do mesmo (robô) fazem todos reconhecerem a eficiência destas vidas artificiais e a importância de aprimora-las. Isso tem consequências desastrosas. Ao longo dos anos, através de aprimoramentos por parte da humanidade, as máquinas começam a desenvolver cada vez mais consciência e desejos próprios. Em um episódio envolvendo problemas com algumas máquinas de trabalho em um posto de trabalho interplanetário, Falcon, devido a sua constituição física, é chamado para pesquisar o problema. Lá se depara com uma máquina chamada Adam (Adão, o “primeiro de sua espécie”). Falcon percebe vida e sonhos no “coração” da máquina. Desobedecendo a ordem dos humanos e se compadecendo da angústia dos robôs, frente a aniquilação, ele resolve preservar a vida dos mesmos. Só que Falcon não imaginava que sua atitude iria desencadear um conflito sem precedentes. Afinal o criador tem direito de vida ou morte sobre sua criatura? Ou, uma vez a vida criada, tem que se respeitar todos os seus anseios?

“Vocês nos criaram. Para extrair o máximo proveito de nosso trabalho, por mera ganância, vocês nos fizeram cada vez mais fortes, cada vez mais independentes. E você, Falcon, permitiu que conservássemos nossas mentes, em uma situação que qualquer um de seus colegas teria preferido nos destruir. Essa foi a sua vitória e a sua tragédia.”

O livro é uma história épica que começa em 1967 e vai até 2850! A medida que o tempo passa vemos a expansão da humanidade pelo espaço assim como a igualmente impressionante ascensão da inteligência artificial das máquinas. Ambos buscam espaço e recursos para sua sobrevivência no Universo. Observamos tudo através da ótica do nosso protagonista Howard que se tornou um embaixador da humanidade frente aos robôs devido sua singularidade (ele é em parte ambos). Assistimos a colonização de Mercúrio e Marte, as consequências da “diáspora” dos humanos forçados a deixar a Terra, grandes conquistas tecnológicas, a escassez de recursos, guerras e a evolução da vida. Sentimos a dor, e os conflitos diante de tanta desgraça, no coração de nosso protagonista. Uma obra ambiciosa e cheia de momentos mágicos. O conflito clássico do “homem vs. máquina”, batalhas intergalácticas, exploração interplanetária, formas de vidas alienígenas, tecnologia especulativa e tudo que você pode esperar de uma excelente obra clássica de ficção científica.

“A única coisa que ainda me assusta é a maldade dos seres humanos”

Agora um “aviso”. Estamos falando aqui de ficção científica pesada level 1000! Os autores Alastair (Phd em Física) e Stephen (Engenheiro e Matemático) não usam apenas “elementos” futurísticos para desenvolver sua história. Eles CRIAM conceitos que vão explodir sua mente e te encantar. O “background” para as criações apresentadas na obra dão um tom tão realista ao que pode acontecer, se já não está acontecendo, que irá te deixar de cabelo em pé! A maestria dos dois autores foi conseguir fazer isso usando termos e uma escrita extremamente acessível. A relação “humana” entre o ciborgue Howard e a máquina Adam é memorável. Para os fãs do gênero afirmo ser uma obra inesquecível. Um dos melhores, se não for o melhor, livro de ficção científica lançado em 2016. Acabe de ler esta resenha e vá correndo comprar seu exemplar!

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