FICHA TÉCNICA

O FLAGELO DE DERNESSUS (MARETENEBRAE #02)
Autor: L. P. Faustini
Ano de Lançamento: 2016
Nº de páginas: 337
Editora Estronho
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SINOPSE

Província de Sumayya, Sieghard, ano 476 após unificação.
No Pico das Tormentas, um pequeno grupo luta pela sobrevivência em meio a uma terra assolada pela guerra e pela doença. As forças da Ordem perecem frente ao exército do Caos, dado como indestrutível. Sir Nikoláos de Askalor e o Rei Marcus II, o Ousado, já não figuram entre os sobreviventes. Com o trono vazio e a queda de Sieghard, as esperanças recaem sobre o único homem capaz de conseguir a resposta para a redenção do Reino, Petrus de Bogdana, agora portador dos mistérios do Oráculo do Norte. No entanto, proteger o fadário da pátria torna-se uma tarefa ainda mais perigosa na existência de um traidor entre seus compartes. Guiados por um insólito artefato, os peregrinos iniciam uma nova jornada rumo ao desconhecido: as Terras-de-Além-Escarpas. Às suas preocupações, soma-se a responsabilidade direta pela realização de um plano de Destino – que poderá levá-los a grandes recompensas ou a terríveis perdas. Seriam eles capazes de cumpri-lo?


RESENHA

Continuações carregam costumeiramente o peso do sucesso de seu antecessor ou o fardo de seu fracasso, cabe ao autor ter maturidade para ambas as situações. Dentro da Literatura Fantástica nacional acrescenta-se à estes a desconfiança e insegurança de seus leitores. Vejo por muitos relatos Internet à fora, extremamente infelizes e patéticos, que ainda falta um longo e árduo caminho a seguirmos, rumo a criação de um terreno fértil para nossos escritores de Fantasia. Afinal, além de todo o preconceito sobre nossas obras nacionais, soma-se a ignorância e mau-olhado do gênero dentre as demais ramificações literárias.

“- De que vale um cavaleiro sem a chama sagrada da Ordem nos olhos?”

Maretenebrae é uma saga moderadamente complexa, e que conta com várias lacunas a serem preenchidas. Ao leitor é dada a experiência de montar um quebra-cabeças com informações pontualmente acrescidas durante ambos os livros, até o momento. A Queda de Sieghard nos deixou com muitas questões a serem respondidas e trabalhadas: quem são os estrangeiros que trouxeram morte e enfermidade aos Sieghardos e espalharam o caos por suas terras? O que eles buscam? Qual a real importância dos peregrinos e de sua jornada para todo o embate denotado no primeiro livro? O que ocorreu posteriormente àquele final que nos deixou embasbacado? Todas estas e muitas outras são questões pertinentes, e boa parte delas são sim exploradas ao longo da narrativa deste segundo livro.

“O que lhe foi ensinado arqueiro, se chama conhecimento, não virtude – disse Victor, dogmático – É verdade que sozinho você também pode adquirir conhecimento. Eles são necessários, são uma herança válida à nossa sobrevivência. Servem para nos alimentar, nos manter aquecido do frio, nos proteger de nossos inimigos. Os animais também fazem isso, não é mesmo? Porém, há algo maior que diferencia o homem dos outros seres. E é isso que se chama virtude adquirida não pelo ensinamento de outra pessoa, mas pela própria experiência individual. A virtude é única e instransferível, como a sua essência vital nesse mundo. “

Em o Flagelo de Dernessus, nossos peregrinos, sendo eles: o simples pastor Petrus, o nobre cavaleiro Heimerich, o feroz guerreiro Braun, o frio e misterioso Victor Didacus, o arqueiro e fiel Roderick, o carismático Formiga e a maga de Keishu Chikára, estão muito mais entrosados, e por mais que as diferenças ainda sejam grandes, todas as intempéries pelas quais passaram, serviram para fortalecer os laços entre eles. Mas não se engane, arranca rabos ainda estão ali, à espreita para entrarem em ação no momento oportuno, porém, em proporções muito menores daquelas do primeiro livro.

“- Mas a morte não é a maior perda da vida – Sir Heimerich continuou – Não, nobres concidadãos de Sieghard. A maior perda da vida é a que morre dentro de nós enquanto vivemos. “

O livro inicia nos levando ao passado, onde o ainda príncipe Marcus II se vê num drama familiar. Profecias atentam que seu filho recém nascido trará infortúnios ao reino. Nestes casos é realizado um sacrifício à Maretenebrae conhecido como Purgação. Em paralelo a isto, conhecemos uma jovem sacerdote de suma importância para a história. Logo após estes eventos, voltamos exatamente ao ponto em que se encerra o primeiro livro. Petrus está de frente para o Oráculo do Norte, podendo escolher somente uma questão a ser respondida. Chikára permanece desacordada em virtude de sua rebeldia. Sir Heimerich parte novamente para as montanhas em busca de Formiga, que devido aos seus ferimentos ficou para trás. Braun e Roderick estão na expectativa do retorno de Petrus e na esperança de apaziguar os ânimos com Chikára.

“- Você sabe – continuou a voz – pastor do Velho Condado , que todos os seres humanos têm componentes emocionais e lógicos, e que ninguém é totalmente bom ou mau. Um mesmo homem é capaz das maiores atrocidades e dos gestos mais desprendidos e altruísticos, ou seja, o bem e o mal são relativos – Cam Sur concluiu de forma dogmática. “

Após todos os enfrentamentos iniciais, os Peregrinos traçam seu caminho mais ao norte, rumo à Abadia de Keishu, onde esperam encontrar respostas para suas principais questões e alcançar o objetivo e o significado que Destino traçou à eles. Neste meio tempo conheceremos mais sobre o passado de alguns personagens, e suas motivações atuais. Segundo o Oraculo do Norte, um dos peregrinos irá trair seus companheiros, e a incerteza desta afirmação estremece a aura do grupo. Em determinados momentos andaremos ao lado de um dos temíveis Thurayyas e teremos ciência de suas práticas para com os enfermos da dita Pestilência Cega. Uma nova região, com embates ainda mais antigos, é “descoberto”.

“- Petrus pode não ser tão simpático quanto Formiga… Mas tem carisma. Pode não ser tão sábio quanto Chikára, mas é inteligente. Não possui o poder de Victor, mas tem o dom de apaziguar as feras, quem sabe o que mais, ou quem. Sua serenidade o iguala à nobreza de Sir Heimerich, com a vantagem de que ele não se sente superior a ninguém. E, embora pouco tempo treinado, já provou seu valor em batalha. “

Flagelo de Dernessus possui uma leitura bastante fluída e com ótimos momentos de ação, mas também peca pela quebra de ritmo lá pela metade do livro, não que o livro se torne maçante, mas é algo como a calmaria que antecede a tempestade. E eis que ao final do livro chegamos ao seu ápice! Diversos enigmas são selecionados, batalhas alucinantes são travadas e o destino de nossos peregrinos tornam-se nebulosos e obscuros. Confesso que até próximo do fim da obra, diria que o livro mantém a qualidade de seu antecessor, mas não o supera. Entretanto, o autor de maneira genial soube acrescentar no momento chave, elementos fantásticos, que engradeceram enormemente a obra, fazendo-o superar com relevância A Queda de Sieghard. A nós leitores sobra um sentimento agridoce pelos sucessos e fracassos, e um vislumbre do que está por vir. Em minha avaliação, chego a conclusão que é a partir de agora que a verdadeira batalha começa, e nossos heróis ainda estão muito distantes do que Destino lhes traçou.


SENTENÇA

Flagelo de Dernessus vem para consolidar o trabalho do autor L. P. Faustini e colocá-lo junto à vanguarda da ótima leva que temos tido ultimamente de autores nacionais do gênero Fantástico. Nesta segunda obra, muitas questões são respondidas, mas outras tantas são estabelecidas. O final é sem dúvidas o ponto mais alto da saga até o momento. Os personagens continuam sendo muito bem explorados e as novidades agregam muito ao livro.

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