FICHA TÉCNICA

ORYX E CRAKE
Autor: Margaret Atwood
Ano de Lançamento: 2004
Nº de páginas: 344
Editora Rocco
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SINOPSE

Em ‘Oryx e Crake’, o mundo é apresentado como um lugar pós-apocalíptico e melancólico, habitado por criaturas biologicamente modificadas e tomadas pelo vício. O narrador do romance é o Homem das Neves, um sobrevivente do antigo planeta, que um dia chamou-se Jimmy. No início da trama, ele está em cima de uma árvore, vestindo um velho lençol, lamentando a perda de sua amada Oryx e de seu amigo Crake. Os flashbacks de Jimmy acabam revelando ao leitor que ele testemunhou as experiências genéticas que ajudaram a transformar o planeta num território devastado. Único ser humano a sobreviver, o Homem das Neves tem apenas a companhia dos Filhos de Crake, crianças de laboratório criadas pelo amigo. Neste livro, a autora conjuga uma fábula fantástica, mórbida e cheia de ação, com personagens cujo mundo interior é misterioso e uma constante descoberta.


RESENHA

Provavelmente o livro mais difícil de se definir o “gênero literário” que já li. Uma grande mistura de ficção-científica, distopia, drama, romance, suspense, terror e um pouco mais de tudo. Mas se é vago afirmar seu público alvo, não é nem um pouco difícil constatar sua qualidade. O rítmo desta aclamada autora pode ser lento e quase “poético”, pode não te agradar, mas não há como ignora-la.

“Há algo de bom na fome: pelo menos ela faz você saber que ainda está vivo.”

O protagonista desta obra é o “Homem das Neves”, conhecido como Jimmy em uma época anterior aos acontecimentos que desencadearam o fim da humanidade como conhecemos. Agora ele aparentemente é a última pessoa humana, como nós, no planeta. Totalmente atormentado por “fantasmas” do passado ele passa seus dias tentando sobreviver com os recursos escassos deste mundo pós-apocalíptico. Não há água potável, e os raros alimentos que encontra são disputados com animais geneticamente modificados. A terra está um inferno, e sua vida não poderia ser diferente. Mas ele não é o único ser racional há sobreviver ao “evento” que transformou nosso planeta, existem os “Filhos de Crake”, seres humanos criados em laboratório e modificados geneticamente (comem grama, se reproduzem em ciclos, possuem diferentes percepções sensoriais) por seu criador: o cientista Crake. Mas afinal? Como chegamos neste ponto da história? O que ocorreu com a humanidade? A autora nos leva ao passado através de vários “flashbacks” angustiantes.

“Você sabe que eu te amo. Você é a única para mim – ela não é a primeira mulher para quem ele disse isso. Ele não deveria ter usado essas palavras tão cedo na vida, não deveria tê-las usado como ferramenta para abrir as mulheres. Quando ele soube que era de verdade, as palavras soaram falsas aos seus ouvidos, e ele teve vergonha de pronuncia-las. “

No “vai e volta” da história conhecemos Crake, um carismático jovem, e futuro obscuro geneticista, e Oryx, uma menina com um passado de abusos, traumas e prostituição que cai em suas graças assim como na do jovem Jimmy ( o nosso “Homem das Neves”) formando um bizarro triângulo amoroso. A vida turbulenta destes três personagens que envolve abuso, preconceito, pedofilia e outras agruras se da em um futuro extremamente verossímil onde encontramos uma sociedade segregada em busca de proteção e evolução a qualquer custo. Merece uma menção especial a parte da trama que revela a pobreza e humilhação na infância de Oryx, que lembra muito a realidade de inúmeras crianças brasileiras. Porem, como a “medíocre e sofrida” vida destes três seres humanos pôde definir o destino da humanidade? Contar seria estragar o melhor da festa. O “segredo” só é plenamente revelado, e todas as “pontas soltas” amarradas, bem no final da obra.

“A imortalidade é um conceito. Se você considerar “mortalidade” como sendo não a morte mas o pré-conheciemento e o medo dela, então a “imortalidade” é a ausência desse medo. Os bebês são imortais, Apague o medo e você será… “


SENTENÇA

O livro é muito cru e interessante. A forma contundente como a ciência sem ética é abordada é perturbadora. É normal do homem questionar a existência de Deus, mas, e se você tivesse o poder de “um deus” para determinar o que seria melhor para o mundo, o que você faria? Essa, entre outras questões morais relacionadas a economia, sexo, violência e sobrevivência são abordadas de forma muito sensível. Um livro melancólico e por vezes macabro que me faz pensar como raras obras que já tive a oportunidade de ler. Pena que ele “peca” pela falta de ritmo. Capítulos que não “acontecem” nada são muito constantes e contrastam demais com aqueles que ditam o “tom” da história e revela seus segredos. Na verdade é uma obra “antiga”, de 2003, e faz parte de uma trilogia. Infelizmente o terceiro volume ainda não saiu por aqui (normal para nós brasileiros) mas isso não deve ser impedimento para você tomar coragem para ler este livro. A maestria como a autora nos conduz por essa inusitada história vale cada centavo.

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