FICHA TÉCNICA – THE UNDERGROUND RAILROAD – OS CAMINHOS PARA A LIBERDADE

THE UNDERGROUND RAILROAD - OS CAMINHOS PARA A LIBERDADEAutor: Colson Whitehead
Ano de Lançamento: Maio/17
Nº de páginas: 320
Editora HarperCollins
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SINOPSE

Cora é uma jovem escrava em uma plantação de algodão na Georgia. A vida é infernal para todos os escravos, mas especialmente terrível para Cora. Uma pária até entre outros africanos, ela está chegando à maturidade, que a tornará vítima de dores ainda maiores. Quando um recém-chegado da Virgínia, Caesar, revela uma rota de fuga chamada, a ferrovia subterrânea, ambos decidem escapar de seus algozes. Mas nada sai como planejado. Cora e Caesar sabem que estão sendo caçados: a qualquer momento podem ser levados de volta a uma existência terrível sem liberdade.


RESENHA

Liberdade. Há a necessidade de ser livre, ou de pelo menos morrer como tal. Tanto faz ser enterrado em uma colina elevada ou em uma planície humilde, desde que não seja em uma terra onde homens são escravos. Não há repouso no campo onde ainda se escutam os passos trêmulos de pessoas afugentadas pelo estalar de chicotes. Onde há choro e lamento por filhos perdidos, por cortes abertos e por sangue inocente derramado. Não há paz onde cães caçam homens, onde súplicas nada valem contra cordas no pescoço. Na terra onde se colhe mas não se come. Um homem não necessita de homenagens e túmulos suntuosos, apenas deseja repousar em sua eternidade numa terra onde não há escravidão. Essa obra é sobre nascimento, vida e morte. É sobre grilhões, liberdade e perdão. É sobre um tempo de dor, vergonha e lamento que precisa sempre ser relembrado. É sobre uma parte da história da América e é sobre a vida da escrava Cora.

THE UNDERGROUND RAILROAD - OS CAMINHOS PARA A LIBERDADE

“A inexorável lógica racial. Se os pretos tivessem que ser livres, não estariam acorrentados. Se fosse para o vermelho manter sua terra, esta ainda seria dele. Se o homem branco não fosse destinado a dominar aquele novo mundo, ele não seria o dono dele agora. Ali estava o Grande Espírito, o fio divino que conectava todos os esforços humanos – se conseguir ficar com ele, ele é seu. Sua propriedade, escravo ou continente. O imperativo americano.”

Cora nasceu escrava. Sua avó foi trazida da África para morrer de tanto trabalhar na Georgia. Ela se lembra vagamente de sua força e gana que se esgotaram naqueles campos de algodão. Sua mãe tentando evitar o mesmo destino fugiu quando ela ainda era muito nova, deixando solidão e ódio. Cresceu sem amparo ou proteção, sendo alvo fácil da luxúria de seus “donos”, ciúmes das outras escravas e ganância tanto dos que tinham muito quanto dos que nada possuíam. Considerada louca por muitos ela só desejava viver, viver como um ser-humano normal, livre das dores físicas e mentais impostas desde seu nascimento. Mas não imaginava como… até descobrir o segredo de uma ferrovia subterrânea que a levaria para longe, para o Norte.

THE UNDERGROUND RAILROAD - OS CAMINHOS PARA A LIBERDADE“Uma vez que você ficasse velho, dava na mesma ter 98 ou 108 anos. Nada mais restava no mundo para lhe mostrar, a não ser a última encarnação da crueldade.”

Caesar é um escravo recém chegado na senzala. Não há chicote, gritos, tortura ou calos que o impeçam de fugir. Ele revela para Cora seu plano de fuga para o Norte via essa misteriosa rota subterrânea. De mãos dadas e corações embrutecidos eles cruzarão a América em busca de liberdade. Hesitação, medo, traições, assassinatos e fugas mirabolantes os levarão aos limites do que alguém é capaz de suportar. Mas o que é a dor de caminhar erguido para quem viveu a vida toda de joelhos?

THE UNDERGROUND RAILROAD - OS CAMINHOS PARA A LIBERDADE“Ser livre não tinha nada a ver com correntes ou com quanto de espaço você tinha. Na fazenda, ela não era livre, mas se movimentava sem restrições em seus acres, experimentado o ar e acompanhando as estrelas do verão. O lugar era grande em sua pequenez. Ali, ela estava livre de seu senhor, mas enfiada em um esconderijo tão minúsculo que não podia ficar me pé.”


SENTENÇA

A leitura desta obra me remeteu o tempo todo, com lágrimas nos olhos, a linda canção icônica “A Change is Gonna Come” de Sam Cooke, que muitos consideram o fundador da música Soul. É um triste, mas importante, retrato do Estados Unidos escravagista do século 18 e 19. Colson (autor) nos guia, através da emocionante aventura da vida de Cora, por todos os tons de negro e vermelho sangue que permeiam esse período. Todas as causas e desculpas para justificar tamanha atrocidade. Envolvente e cru deveria ser leitura obrigatória, pois quem esquece os erros do passado acaba comentando os mesmo no futuro. Segundo as palavras do cantor citado acima, uma mudança estava prevista, onde as pessoas não seriam mais definidas por sua “cor”, onde negros e brancos viveriam em harmonia sem preconceitos. Essa mudança já chegou ou ela realmente ainda está por vir? Leia esta obra, reflita sobre o passado e presente, e tire suas próprias conclusões.

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