FICHA TÉCNICA

Wild Cards – O Começo de Tudo
Autor: George R. R. Martin
Ano de Lançamento: 2013
Nº de páginas: 480
Editora: LeYa
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SINOPSE

A Segunda Guerra Mundial acabou e o mundo começava a se preparar para a reconstrução, até que uma nave espacial um tanto estranha cai na Terra, e um ser alienígena tão excêntrico quanto seu “veículo” começa a anunciar que estamos em perigo, que um vírus – que ele não sabe ao certo o que pode causar aos humanos – caiu na Terra. Mas era tarde demais… O vírus se espalha no céu de Nova York e aos poucos começa a contaminar o resto do mundo. No começo ninguém sabia se era uma bomba química ou atômica, até que as primeiras pessoas começaram a morrer ou se transformaram em seres bizarros ou extremamente poderosos. O vírus ficou conhecido com carta selvagem, afinal, como num jogo de baralho, nunca se sabia qual carta – ou qual mutação no caso – poderia tirar.


RESENHA – WILD CARDS – O COMEÇO DE TUDO

Caráter. Alguns definem como aquilo que se faz quando ninguém está vendo. Hereditário ou adquirido? Na verdade, independente de sua “origem”, caso você queira saber o caráter de alguém ponha dinheiro ou poder em sua mãos. Essa complexa obra é sobre a revelação de quem as pessoas realmente são quando tiradas de sua zona de conforto ou anonimato e fantasticamente expostas ao “holofote”. Sobre o que são ou podem vir a ser, assim como a reação daqueles menos afortunados. É sobre preconceitos, ignorância, ganância, sorte, azar e é claro…”super-heróis”!

“As pessoas não são muito legais garoto. Não quando você realmente as conhece.”

Era uma vez Takis, um planeta bem distante do nosso determinado a erradicar qualquer deficiência física e mental assim como elevar toda a sua população ao status de “super-seres”. Pesquisadores de Ilkazam, uma proeminente família deste mundo, desenvolveu um Xenovírus que prometia tal milagre, mas havia altos riscos. Evitando disseminar uma praga ao invés de uma cura milagrosa, seus olhos se voltaram para um pequeno planeta azul chamado Terra. A genética compatível entre humanos e Takisianos tornou nosso mundo o “recipiente” ideal para tal experimento. Uma bomba contendo tal vírus é enviado a Terra, mas um heróico Takasiano embarca junto em uma jornada para avisar, nós terráqueos, do perigo iminente. Seria tarde demais? Talvez não. A “bomba” cai nas mãos de alguns inescrupulosos que ameaçam a humanidade. Mas a Terra pode contar com Jetboy, um aviador herói da Segunda Guerra Mundial que promete impedir tal catástrofe. Mas o herói falhou…

“Ele estava com 6 anos quando Jetboy explodiu sobre Manhattan, havia crescido com medo do vírus, com a memória dos 10 mil que morreram no primeiro dia do novo mundo.”

O vírus se espalhou cobrando um preço caro demais. Milhares morreram e tantos outros foram afetados drásticamente. Nove entre dez sobreviventes tiveram sua genética alterada. Alguns assumiram formas repugnantes, dolorosas, inconvenientes ou até mesmo patéticas. São chamados de “Curinga”. Outros tiveram valências físicas e/ou mentais ampliadas. Telepatia, invulnerabilidade, super-força, longevidade e etc. São chamados de “Ás”. Entre sortudos e azarados vemos surgir o que há de mais deplorável na humanidade. Esqueça o mote que “com grandes poderes vem grandes responsabilidades”. Com grandes poderes, ou deformidades, não vem nada alem do que já estava destinado a aflorar em você. Alguns em benefício próprio, poucos tentando ser referência, entre muitos que só pensam em sobreviver nesta nova Terra, não há uma esfera da sociedade não afetada. Política, cultura, medicina e a ética nunca mais serão vistas da mesma forma.

“- Resgatar algo do desastre. Usar esses dons para melhorar a condição humana.
– É assim que começa, mas terminará assim? Minha experiência com super-raças, sendo eu mesmo membro de uma, é que pegamos o que queremos e o diabo pega todos os outros.”


SENTENÇA

Essa aclamada série possui uma premissa genial mas uma execução apenas mediana em seu primeiro volume. Repleta de altos e baixos não deixam muito claro qual será o “tom” adotado nos próximos livros. Como um mosaico de contos interligados em um rico mundo criado por Martin e cia. somos apresentados a uma crítica ácida e sutíl da América pós-Segunda Guerra ao longo de 35 anos de história. Não espere histórias eletrizantes de “super heróis”, grandes batalhas e ação. Mais fácil encontrar “pérolas” genias como a crítica ao MaCartismo americano, que buscava incessantemente comunistas, e porque não, super-homens subversivos em qualquer canto. Mesclando uma galeria de personagens carismáticos com os “Quatro Ases” e o grande “Tartaruga” com vários que despontam para o anonimato não serei injusto em minha crítica. Apenas um primeiro volume de uma série com mais de 30 anos e 22 volumes que merecem mais atenção e aprofundamento antes que eu possa dar minha sentença final. Terei que ler os próximos volumes para saber se nas próximas histórias os autores estarão mais para “Ases” do que para “Curingas”, porque o primeiro volume ainda não me convenceu.

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